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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Deixem os putos usar as tecnologias...também!

Tentar afastar as crianças da televisão, dos telemóveis ou dos computadores é, não só, absolutamente inglório, como vai isolá-las do grupo dos seus colegas e amigos. É afastá-las do seu presente e, mais grave, do seu Futuro.

 

Mas, para gerir esta situação, há duas palavras - TAMBÉM e BOM SENSO.

Este post é sobre o TAMBÉM.

Um recorte de jornal, que não consigo encontrar nos meus arquivos (desespeeeerooo!!!), relatava uma notícia giríssima. Em 1904, nos EUA, um médico afirmou que andar a 10 km/h numa bicicleta a motor era perigosíssimo! Isto porque, a esta velocidade estonteante, a pessoa abria a boca, enchia-se de ar e... rebentava!!!

E o que se disse quando surgiu o cinema! Hum..uma sala escura, um écran brilhante...as pessoas vão ficar cegas! Ou da fotografia, que roubaria a alma do fotografado...

Só para rir, vejam este filminho do Charlot que mostra bem o receio do Homem em relação à Máquina.


02:58

Esta é a atitude "normal" do ser humano face à novidade tecnológica, seja ela qual fôr. Desconfiança, medo, futuro negro...

E é por isso que, todos os dias, surgem notícias, estudos e relatos de coisas horrorosas que poderão acontecer a quem usa a televisão, o telemóvel, o microondas, o Facebook e sei lá que mais! Até o nosso prestigiado sociólogo, António Barreto, escreveu contra o telemóvel nos idos anos de 90. Enfim...

A verdade é que as novas tecnologias são não só inevitáveis, no presente e no futuro, como também estimulam o nosso cérebro de forma completamente diferente do "antigamente".

E sem me alongar muito sobre esta evidência, remeto-vos para um livro giríssimo, de 2006, de Steven Johnson, "TUDO O QUE É MAU FAZ BEM - Como os jogos de video, a TV e a Internet nos estão a tormar mais inteligentes". Aqui encontrarão o desafio de pensar mais à frente.

MAS...
se os miúdos têm que saber usar nas tecnologias quanto mais cedo melhor, tal como acontece com a aprendizagem de uma segunda língua (quanto mais cedo, mais se integra na sua "pele"), também têm que saber que a água não nasce nas torneiras e que o frango não é aquela coisa de pernas abertas das prateleiras dos supermercados...

Ou seja, a criança, com o seu potencial inegualável, tem que ser desenvolvida e estimulada em todas as direcções, sem radicalismos ou saudosismos.

A foto abaixo, e a sua legenda, colocam, em alternativa, a Tecnologia e a Natureza.


Mas isto é uma falsa escolha. A Tecnologia não se opõe à Natureza. Não é "Tecnologia ou Natureza". É, sim, "Tecnologia e, também, Natureza".

No campo da Civilização e da Cultura, há muitos outros exemplos de falsas escolhas. Temos de estar atentos. 

No próximo post, discutirei o BOM SENSO que acompanha este TAMBÉM. E vou ser ainda mais chata...


LINK para "old school", na SIC Noticias

LINK para Estudo inglês, no Observador

LINKs para aprofundar:

Blog de Nelson Trindade

Artigo de Catarina Marques Rodrigues no Observador


segunda-feira, 4 de maio de 2015

Varoufakis, o rebelde submisso?

Georgios Varoufakis, pai do Ministro das Finanças grego, disse, este domingo, em entrevista ao jornal Ethnos, que adora o seu filho, que Tsipras adora o seu ministro e que as mulheres adoram o homem, nomeadamente, a directora do FMI, Christine Lagarde. Ah, muito bem.

Esta converseta tornou actual a minha análise sobre o lado sedutor de Varoufakis. Vejamos.

Varoufakis e Jeroen Dijsselbloem, Presidente do Eurogrupo, não se gramam e medem forças constantemente.



Desta vez, o móbil foi a Directora do FMI, Christine Lagarde.

Nas fotos a seguir, Varoufakis lança todo o seu charme de rapazinho “quiduxo” sobre a francesa.



Jeroen Dijsselbloem não achou graça, tal como se vê nas fotos seguintes, com o holandês, de cara irónica, fechada e tensa, agarrado a si próprio.


Finalmente, Varoufakis olha para Dijsselbloem, numa postura de “ora toma, gostaste?".


Li, algures, que Varoufakis é um sedutor. É, mas em modo adolescente?



quinta-feira, 30 de abril de 2015

Quer ajudar os seus filhos a estudar Português? Ah, ah, ah, boa piada!

Ensinar/aprender a Língua Portuguesa é, hoje um pesadelo. Entre a nova Gramática e o Acordo Ortográfico, a coisa ficou preta. Algures entre o final do século XX e o início do século XXI, uns alguéns decidiram brincar com a nossa paciência e ninguém os travou. Estamos lixados.

Cabecinhas pensadoras

Dois exemplos: Um sobre o AO, outro sobre a Gramática. Uma delícia.

Quadros ilustrativos da aberração Acordo Ortográfico apresentados por Bagão Félix na Edição da Noite da SIC Notícias (05.06.2013).



O próximo texto é da autoria de Teolinda Gersão.
Escritora, Professora Catedrática aposentada da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa., escreveu-o depois de ajudar os netos a estudar Português. Colocou-o no Facebook. (11/06/2012)

Dado que o texto é longo, coloco aqui apenas um excerto.

"Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em casa”, ”em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito.”O Quim está na retrete”: “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele? Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo.
.......
No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa. No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela”, o sujeito de “abriu a janela” era ela, subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço?
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E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me perguntar: Ó João, onde está a tua gramática? Respondo: Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito. 

João Abelhudo, 8º ano, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática."

ver texto completo

E, agora, digo eu...estamos todos loucos?

terça-feira, 28 de abril de 2015

Varoufakis - a rejeição anunciada

Varoufakis foi, ontem, afastado das negociações com o Eurogrupo. Porém, esta "rejeição" estava já anunciada desde a primeira hora.



#Varoufakis

Na verdade, em 30 de Janeiro de 2015, a primeira conferência de imprensa dada por Varoufakis e pelo Presidente do Eurogrupo, o holandês de nome impronunciável Jeroen Dijsselbloem, correu mal para o grego.

Varoufakis, já no finalzinho da sua intervenção, resolveu dizer que a Grécia não iria negociar mais com a Troika. O holandês, danado, deu a conferência por terminada, sussurrou qualquer coisa muito mázinha ao grego e deixou-o para trás, avançando rapidamente para a saída.

O video da conferência, a que tirei o som, não deixa dúvida.


             Video completo (01:08)

                

                                                                                                      
Para aprofundar a análise, parti este video em duas partes e coloquei-as em slow motion, o que permite realçar vários momentos significativos.


Na parte 1, é de notar:

1º A cara fechada do holandês ao ouvir Varoufakis falar da Troika, sobretudo quando lhe faz sinal de que está a ouvir a tradução;

2º A relutância em apertar a mão que Varoufakis lhe estendeu por duas vezes e o "puxo eu - puxas tu" dos braços, numa luta entre os dois;

3º O sorriso a morrer na cara de Varoufalis, ao ouvir a coisa muito mázinha que o holandês lhe terá dito.

Parte 1 (01:07)

                                                                                         

Na parte 2, é de notar:

1º A saída apressada e tensa do holandês, deixando o grego completamente sozinho e para trás;

2º O ar abandonado e "abananado" do grego, agarrado às costas da cadeira e, depois, com as duas mãos nos bolsos.


Parte 2 (01:11)


                                                                                                                                                          

Deve ter doído...  

Li, algures, que o holandês terá dito ao grego "acabaste de matar a Troika". Hum...vou fingir que acredito...deve ter sido bem pior...


sexta-feira, 24 de abril de 2015

Quando a "tradição cultural" justifica o crime

É vulgar, hoje, invocar-se a "tradição cultural" de um grupo, de um povo ou de uma religião para justificar actos que colidem com os valores contemporâneos, nomeadamente, da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Vejamos alguns exemplos de actos que já foram historicamente aceites noutras eras, e que, sendo intoleráveis hoje,  ainda se mantêm  protegidos pela tal ideia de "tradição cultural".

Mutilação genital feminina

Ainda largamente praticada na África subsariana, a mutiliação genital feminina é, hoje, combatida por ofender todos os direitos das mulheres. 


Casamento infantil

Ainda largamente praticado em África e na Ásia, o casamento infantil é, hoje, considerado pedofilia, e combatido por ofender, mais uma vez, o direito das mulheres.


Violência doméstica

"Entre marido e mulher não metas a colher" dizia-se, até há alguns anos, em Portugal. Hoje é um crime público que abarca a violência doméstica sobre crianças, idosos, mulheres e homens, mas a sua denúncia ainda choca com a "tradição cultural".


Escravatura 
A paquistanesa Ialee Kohi trabalhou durante 
mais de 20 anos como escrava. 

Ainda praticada em todo o mundo, inclusive em Portugal, a escravatura de homens, mulheres e crianças é combatida, hoje, por ofender os direitos humanos.


Violência sobre os animais


Touradas, caça aos golfinhos, focas e baleias, ou a industria das peles preciosas, são exemplos de como a violência sobre os animais pode ser particularmente chocante aos olhos contemporâneos, sobretudo no que toca à dimensão "espectáculo". Por muito "artisticos" ou economicamente interessantes que sejam. 


Mas é uma questão de tempo para que tudo isto desapareça...E depende da força da opinião pública.